Queridos (as) catequistas, sempre precisamos renovar-nos
para cumprir bem nossa missão pois nós, catequistas temos que ter zelo uns com
os outros. Sem comunhão não existe missão, por isso é necessário entrar na simplicidade
da união.
CATEQUESE = ZELO+RENÚNCIA
É preciso deixar as redes. Deixar tudo
aquilo que lhe segura, lhe prende, lhe impede de cumprir a sua missão. Quais
são as redes que lhe impede de receber o melhor que Deus tem para você?
Não espere elogios (recompensa
humana), senão perdemos a graça de Deus, pois é a gratidão a Deus que nos
impulsiona a evangelizar.
REFLETIR: com que espírito servimos a
Deus: com o espírito de gratidão ou com o espírito de anunciar a nós mesmos?
Para
fortalecer nossa espiritualidade segue uma sugestão para vocês realizarem na
Pastoral Catequética de sua Paróquia:
A ESPIRITUALIDADE DA LÂMPADA
Mantra:
Indo e vindo, trevas e luz/ Tudo é
graça/Deus nos conduz
Antes mesmo que se inventasse a roda, a humanidade
inventou a lâmpada. Durante milênios as pessoas utilizaram lamparinas de barro
ou metal abastecidas com azeite de oliva, para afugentar a escuridão da noite.
E por quê? Porque a vida precisa de luz. Mesmo os animais que habitam as
profundezas dos oceanos, aonde não chega a luz solar, produzem a sua própria
luminosidade para sobreviver; encontrar alimentos, afugentar predadores,
encontrar os irmãos da mesma espécie. A luz encontra-se tão ligada à origem da
vida que o autor do primeiro capitulo do Gênesis sabiamente a colocou como a primeira
criatura de Deus: “
Faça-se a luz!”
(Gn
1,3). Todos os seres vivos existem não para as trevas, mas para a luz.
Com a humanidade acontece o mesmo. O domínio da tecnologia do fogo
foi decisivo para que o homem descobrisse como moldar a natureza e sobreviver à
noite. Antes disso, a noite era a hora da morte, em sobrevinham as feras, os
ladrões e assassinos. Por isso, a lâmpada adquiriu também um importante
significado simbólico de proteção, segurança, orientação, vida. Logo as
lâmpadas dos candelabros passaram a fazer parte dos rituais sagrados das mais
diversas religiões.
Para o povo de Israel, a lâmpada possui um significado todo
particular: lembra nada menos que a Páscoa, a libertação do Egito, o
acontecimento central da fé dos judeus. Quando saíram da terra da escravidão,
os israelitas foram, guiados por uma coluna luminosa que era a própria presença
do Senhor no meio deles (cf. Ex 13, 21s). Por isso a celebração judaica do
Sábado (
Shabbat)
inicia-se com o
acender as luzes da casa. Essa tradição foi incorporada pelos cristãos à
cerimônia da Vigília Pascal, em que se abençoa o fogo e se acende o círio,
sinal do Cristo Ressuscitado.
Na Bíblia, a palavra hebraica
nir
significa, ao mesmo tempo, “luz” e “lâmpada”. Esse dado é interessante porque
nos faz ver que, para a mentalidade israelita, é realmente importante,
sobretudo quando ela falta, ou seja, à noite quando é preciso manter as
lâmpadas acesas. A função da luz é afugentar a treva, onde existe morte, medo,
desorientações. Viver na luz, em sentido bíblico e místico, é viver na presença
de Deus, viver
em
constante Páscoa
, permitindo que o Senhor afugente com seu
poder as trevas de nossas escravidões pessoais e sociais. A luz de Deus é
sempre luz de lâmpada, luz que transforma, luz feita para eliminar a noite do
pecado, da maldade, da morte.
“Tua palavra é lâmpada para meus pés e luz para o meu caminho!”
(Sl 119,105)
Para viver na liberdade adquirida na Páscoa, Deus
presenteou o seu povo com a sua palavra. Escutar a Palavra e colocá-la em
prática é o centro da vida religiosa de Israel; “
Ouve, os Israel! O Senhor nosso Deus é o único Senhor. Amarás o Senhor
teu Deus com todo o teu coração, com toda a tua alma e com todas as tuas
forças. E trarás gravadas no teu coração todas estas palavras que hoje te
ordeno”
(Dt 6,4-6)
A palavra de Deus torna-se para o povo da aliança a nova
coluna luminosa que aponta a direção da liberdade: “
O mandamento Senhor é brilhante, para os olhos é uma luz!”
(Sl
19,9)
Para viver na luz, é necessário ouvir a Palavra,
meditá-la, praticá-la, transmiti-la. Ela é a lâmpada que permite ao povo de
Deus perseverar no caminho da fidelidade à aliança com Javé: “
Tua Palavra é uma lâmpada para os meus pés e
uma luz para o meu caminho”
(Sl 119,105). Do contrário, sem ouvir a Palavra
Israel retorna à sua escravidão podendo praticar desumanidades piores do que as
que sofria sob o jugo dos egípcios. Entra aí o papel dos profetas, por meio dos
quais Deus continuamente convida seu povo a sair das trevas deixando-se guiar
pela luz da Palavra: “
O povo que andava
nas trevas viu uma grande luz.Para os que habitavam nas sombras da morte uma
luz resplandeceu!”
(Is 9,1)
Para os cristãos essa “grande luz” resplandecente para
toda a humanidade é Jesus Cristo, a luz do mundo.
“
Eu sou a luz do mundo!” (Jo 8,12)
Jesus Cristo é a Palavra
do Pai: Palavra por meio da qual foi criado o mundo. Palavra que foi dada como
lâmpada a Israel. Palavra sempre renovada na boca dos profetas. Nessa Palavra
eterna, “
estava a vida e a vida era a luz
dos homens. Essa luz brilha nas trevas, e as trevas não conseguirão apagá-la”
(Jo
1, 4-5)
Quando chegou o tempo oportuno, essa
“Palavra se fez homem e habitou entre nós”
(Jo 1,14), na pessoa do
jovem carpinteiro de Nazaré. Seu jeito revolucionariamente amoroso de viver,
resgatando a todos os que foram jogados nos porões do mundo (doentes,
prostitutas, pecadores, crianças, pobres, ricos, etc.) relativizando as
hipocrisias religiosas de sua época, ensinado de modo simples a vontade do Pai,
era nada menos que a Palavra eterna de Deus viva no meio dos homens, a luz
brilhando intensa e incomodamente no meio das trevas. As trevas tentaram
apagá-la na noite da cruz. Mas a vida brilhou para sempre na manhã sem fim da
ressurreição!
Cristo é a Lâmpada do Pai, o farol da humanidade,
“o Sol nascente
que nos veio visitar, lá do alto, como luz resplandecente, para
iluminar os que vivem nas trevas e nas sombras da morte”
(Lc 1,78). É Ele o
astro que aquece e ilumina o povo de Deus como diz o autor do Apocalipse a
respeito da Nova Jerusalém: “
A Cidade não
precisa do sol nem da luz para ficar iluminada, pois a glória de Deus a ilumina
e a lâmpada é o Cordeiro”
(Ap 21,23)
Seguir Jesus é ouvir e viver a Palavra tornada gente no seu modo
de viver: “
Eu sou a luz do mundo. Quem me
segue não andará nas trevas, mas terá a luz da vida” (Jo 8,12).
O discípulo
de Jesus, no desejo de assemelhar-se ao Mestre também se torna lâmpada, luz
para transformar o mundo: “
Você são a luz
do mundo. Ninguém acende uma lâmpada para colocá-la debaixo de uma vasilha, e
sim para colocá-la no candeeiro, onde ela brilha para todos os que estão na
casa. Assim a luz de vocês brilhe diante dos homens para que eles vejam as boas
obras que vocês fazem louvem o Pai que está nos céus!”
(Mt 5,15-16)
Viver na luz é belo, mas não é fácil. Também o escuro tem
os seus atrativos e seduções. Às escuras é que se fazem as coisas escondidas,
longe do julgamento alheio. No escuro, podemos atender os nossos desejos mais
imediatos sem sermos incriminados por ninguém. Viver nas trevas é bastante
cômodo e instantaneamente prazeroso. É viver como se, pelo menos por um
momento, Deus, não existisse. É viver como se não existisse a verdade, a
justiça ou a ética. Viver nas trevas é tentar esconder-se de Deus, como o homem
e a mulher no paraíso, após terem comido o fruto proibido. (cf. Gn 3,8)
Mas o homem e a mulher não conseguem se esconder de Deus,
porque não conseguem esconder-se de si mesmo. O ser humano nasceu para a luz-
sua alma é luz, sua consciência é luz, sua razão é luz que busca a verdade e a
clareza nas coisas: “
O espírito do ser
humano é uma lâmpada de Javé, que sonda as profundezas do ser” (Pr 20,27).
Nossa vocação mais que
viver na luz, é sermos luz. Não uma luz inútil, acesa durante o dia, mas uma
lâmpada que – assim como nosso Senhor Jesus Cristo - arde onde as trevas
precisam ser afugentadas, onde a vida se encontra ameaçada, onde há pessoas
tratadas como coisas, onde a verdade se encontra distorcida, onde a alegria
desapareceu, onde o ódio pisoteou o amor. “
Onde
houver trevas que eu leve a luz”
(São Francisco de Assis).
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Para rezar em grupo:
Sugestão de lucernário
Ambiente:
Círio Pascal já aceso no
inicio da celebração. Em frente ao círio, um recipiente com brasas e outro
com incenso. Velas pequenas espalhadas pelo chão. Cada um deve ter uma vela
pessoal, de modo que o local fique iluminado apenas pela luz das velas.
Organizar a celebração em folhetos para todos.
Encerra-se a celebração
rezando-se ou cantando o Salmo 91 (90) ou o Cântico de Simeão (Lc 2,29-32)
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